Minho na revolução da nanotecnologia

27/05/10, 01:42
Almerinda Romeira

Na sua actividade de investigação científica aplicada à nanotecnologia, a Universidade do Minho tem em curso dezenas de projectos de I&D envolvendo financiamento externo e parceiros empresariais. O objectivo é, segundo o Pró-Reitor Vasco Teixeira, contribuir para o desenvolvimento de novas competências técnicas da indústria internacional em geral, e da portuguesa em particular.

Qual o impacto tecnológico e social da nanotecnologia?
A nanotecnologia já começou a ter um considerável impacto sócio-económico na Europa, EUA e Japão. Segundo alguns estudos de mercado, poderá vir a ser responsável por mais de 100 milhões de postos de trabalho directos ou indirectos à escala mundial nos próximos 15 anos.
Como exemplos de aplicações, temos a indústria têxtil, onde podem ser utilizadas nanopartículas ou nanofibras de prata que apresentam propriedades anti-bacterianas. Para produtos inovadores farmacêuticos, é possível conseguir-se a libertação controlada dos medicamentos, bem como conduzi-los especificamente à zona do corpo pretendida. Na indústria cosmética, os protectores solares à base de nanopartículas controlam a absorção das radiações solares com elevada precisão e as nanocápsulas com aditivos anti-envelhecimento penetram mais eficazmente nos poros da pele.

Estamos perante um admirável mundo novo?
Sim, uma nova revolução tecnológica, mas nanotecnológica. Os potenciais resultados tecnológicos da bionanotecnologia e nanomedicina que contribuirão para a melhoria da saúde humana tornam-se ainda mais excitantes quando se perspectivam desenvolvimentos de novos biomateriais, dispositivos e técnicas de detecção (p.ex. lab-on-a-chip), bem como recuperação biológica de órgãos e tecidos. Assim, questões como síntese, fabrico e caracterização de nanomateriais funcionais e nanoestruturas para aplicações biomédicas (nanotubos, nanofios, nanopartículas, biomateriais auto-organizados, nanomateriais à base de polímeros biodegradáveis, revestimentos nanoestruturados e filmes finos, superfícies inteligentes, reconhecimento biomolecular, imagiologia médica, nanodiagnóstico e terapia, etc.) tornam-se muito importantes.

O que está a Universidade do Minho a fazer nesta área?
A actual Reitoria da Universidade do Minho (UM) considera esta área como estratégica. No domínio da Nanotecnologia decorrem actualmente várias dezenas de projectos de I&D com financiamento externo e envolvendo parceiros empresariais. Englobam áreas onde a Universidade detém competências científicas e tecnológicas em bionanotecnologia, nanomedicina, nanoelectrónica e nanomateriais (produção e caracterização).
Eu, como Pró-Reitor com o pelouro da Investigação, tenho vindo a coordenar um grupo de trabalho para a elaboração de um relatório sobre as competências em I&D em micro e nanotecnologias existentes na Universidade.
A Universidade do Minho, aquando do seu 36º aniversário, no passado dia 17 de Fevereiro, celebrou vários protocolos de cooperação, um dos quais foi com o INL. Fomos a primeira Universidade a assinar um protocolo de cooperação com o INL (Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia) com sede em Braga (praticamente em fase de arranque e localizado mesmo em frente ao Campus de Gualtar da UM).

Esse protocolo versa sobre o quê?
Este protocolo tem como finalidade o estabelecimento de acções de colaboração científica e tecnológica nas áreas relevantes das Nanociências e Nanotecnologias, no âmbito das actividades de I&DT desenvolvidas pelo INL e UM, como elementos integrantes de uma estratégia global do desenvolvimento científico e tecnológico. O protocolo prevê, entre outras acções, condições especiais de acesso aos recursos existentes e às instalações, ofertas de cursos de pós-graduação no domínio da nanotecnologia; a orientação conjunta de projectos de alunos do 2º e 3º ciclos, a promoção de actividade económica no domínio da nanotecnologia.

De que forma a Universidade do Minho contribuirá para o aparecimento de novas empresas e criação de novos postos de trabalho?
A Universidade do Minho assume-se como uma Universidade de Investigação e sempre procurou estimular nos seus alunos, docentes e investigadores uma cultura e espírito empreendedor.
No âmbito da sua política de valorização do conhecimento, a Universidade do Minho incentiva a constituição de empresas que tenham por objectivo a valorização do conhecimento resultante das suas actividades de investigação científica e tecnológica: os Spin-offs da Universidade do Minho.

Que resultados práticos apresenta essa política de valorização do conhecimento?
O desenvolvimento de comportamentos e competências empreendedoras na comunidade académica traduzem-se num incremento no número de registos de patentes e na criação de microempresas de base tecnológica ….

ler mais em:

OJE- o Jornal Económico – PME NEWS

Notícias, Conferências e Empregos em Nanotecnologia

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~ by vascoteixeira on May 29, 2010.

 
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