Braga – Empresas chamadas a valorizar investigação em nanotecnologia

‘Ecoticket’, empresa ‘spin-off’ da Universidade do Minho (UMinho) criada em 2008, vencedora do último Concurso Nacional de Inovação BES, foi um dos exemplos de valorização económica da investigação em nanotecnologia que se faz na região, apreciados ontem, no 1º Fórum NanoValor. Responsáveis de empresas, universidades e instituições de investigação e desenvolvimento debateram o futuro de um sector com grandes perspectivas de desenvolvimento.

Vasco Teixeira, pró-reitor da UMinho que coordenada a Rede NanoValor, destacou, na abertura do Fórum, que existe no Norte de Portugal e na Galiza, “uma forte base de conhecimento científico na área da nanotecnologia”, mas que “ainda não há grandes resultados de valorização económica desse conhecimento”,

A ‘Ecoticket’ foi apresentada no encontro de investigadores de grupos e centros tecnológicos, representantes de empresas e instituições de I&D do Norte de Portugal e da Galiza como uma experiência de sucesso na transformação de conhecimento científico em inovação empresarial. Desenvolvido por uma equipa do Departamento de Engenharia Têxtil da UMinho, o projecto ‘Nanocor’, que a ‘Ecoticket’ viu premiado, permite uma poupança de cerca de 70% de água no tingimento de tecidos face aos corantes reactivos, fruto da utilização de nanopartículas coloridas, em vez dos nanopigmentos.

Vasco Teixeira referiu, na abertura dos trabalhos do Fórum organizado pelo consórcio NanoValor, que outras ‘spin-off’ da UMinho estão a explorar as capacidades da investigação em nanotecnologia, área que ganhou grande notoriedade em Braga com a construção e entrada em funcionamento do Laboratório Internacional Ibérico de Nanotecnologia (INL).

Ricardo Ferreira, investigador do INL, revelou no Fórum Nano Valor que estão a funcionar actualmente seis dos 40 grupos de investigação previstos nas quatro grandes áreas de actuação do Laboratório Internacional gerido por Portugal e Espanha.

Joaquim Carneiro, do departamento de Física da UMinho, moderador do primeiro painel desta primeira edição do NanoValor, reconheceu que a sociedade bracarense ainda não percepcionou o impacto que o INL terá no desenvolvimento regional. “Compete ao INL a opção estratégica de saber aplicar fundos e estabelecer parcerias e associar empresas regionais”, sugeriu Joaquim Carneiro.
Ricardo Ferreira referiu que “a sala limpa e a linha de produção de dispositivos do INL pode e deve ser explorada pelas empresas”.

Criar pólo de competitividade

O consórcio NanoValor é constituído pelas universidades do Minho, Porto e Santiago de Compostela, TecMinho, INESC-Porto, INL, AIMEN e Fundación Empresa-Universidad Gallega.
A UMinho coordena esta rede que visa aproximar os actores-chave da nanotecnologia, aumentar a competitividade das empresas e potenciar a investigação e o desenvolvimento tecnológico do sector.

Trata-se de um projecto cofinanciado em 1,4 milhões de euros pelo Programa Operacional de Cooperação Transfronteiriça Espanha-Portugal 2007/13.
Vasco Teixeira adiantou ontem que os parceiros do projecto ‘NanoValor’ estão a preparar novas candidaturas a financiamentos de fundos comunitários.

O Projecto Nanovalor tem como missão reforçar os laços institucionais entre os actores na área da Nanotecnologia das regiões do Norte de Portugal e da Galiza, através da criação e formalização de um pólo de competitividade.

Raúl Fangueiro, do Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil da UMinho, defendeu, no encontro de ontem, que “o conhecimento que vamos criando tem que significar riqueza e emprego”, pelo que o envolvimento das empresas, mesmo as de sectores tradicionais como a construção civil, é decisivo para o sucesso do pólo de competitividade das nanotecnologia.

http://www.correiodominho.com/noticias.php?id=59824

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~ by vascoteixeira on March 12, 2012.

 
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